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  • Karla Farias

Cognição Social


Sabemos que o nosso cérebro não se desenvolve de maneira homogênea. O córtex pré-frontal é o último a se desenvolver (alguns estudos sugerem por volta dos 24 anos). Este é responsável por funções importantes como pensamento, tomada de decisão, formação de juízo de valor, entre outras. Durante o desenvolvimento cognitivo vamos ampliando a complexidade do raciocínio de maneira gradual à medida em que vamos interagindo com o ambiente que nos cerca.


Uma criança de quatro anos, por exemplo, é capaz de decidir sozinha se quer brincar com o bloco de montar ou com a maleta de pintura. Também é capaz de decidir se quer o suquinho ou o achocolatado no lanche, mas ainda não é consegue decidir se é melhor brincar dentro de casa ou no quintal em um dia chuvoso, pois não desenvolveu a capacidade observar o momento presente, levantar possibilidades e prever as consequências futuras para cada uma delas, para fundamentar sua tomada de decisão.


Diante da falta de sofisticação do raciocínio as crianças reproduzem a tomada de decisão e os padrões de comportamento dos pais, cuidadores, figuras de afeto e até personagens favoritos. Daí o perigo de deixar a criança assistir TV ou ficar navegando na internet sem supervisão, bem como deixá-la aos cuidados de pessoas cujos valores morais não se conhece bem ou não se concorda. Como a habilidade para processar as informações sociais e emocionais ainda está em desenvolvimento, a reprodução do comportamento do adulto pode ser adequada ou não. Daí aquelas “saias justas” pelas quais todos os pais um dia passam com seus filhos.


Todo cuidado é pouco quando se trata de criança. Uma metáfora que se diz pode trazer problemas sérios e até riscos à integridade física da criança e de outros indivíduos. Um exemplo disso são comentários agressivos que não passam de desabafos dos adultos, mas diante de uma situação conflituosa onde a criança se sinta ameaçada ou injustiçada, esta pode agir conforme o comentário.


Quando o cérebro já se desenvolveu plenamente somos hábeis para atribuir estados mentais como sentimentos, desejos, intenções e valores a nós mesmos e aos outros e prever o comportamento destes. As neurociências denominam de Cognição Social o conjunto de habilidades ligadas ao processamento de informações emocionais e sociais. É a Cognição Social que nos permite conviver de maneira harmônica na sociedade e nos sentirmos pertencentes a ela.


A família tem um compromisso com a formação global saudável do indivíduo. E o respeito e a aceitação dos limites impostos pela formação do cérebro da criança, auxiliando-a a desenvolver gradualmente suas potencialidades é fator protetivo para a sua saúde física e mental.

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