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  • Karla Farias

Viver com pessoas difíceis


Algumas pessoas não conseguem controlar o turbilhão de emoções que lhes invadem diariamente. Umas são excêntricas e isoladas, outras são manipuladoras e impulsivas. As frustrações e desafios são vividos como se fossem sentenças de morte, e a vida um campo de batalha. Temem ser abandonadas e muitas vezes acabam por abandonar ou simplesmente não se envolver, para que a tão aversiva rejeição não aconteça. A questão é que essas pessoas não se dão conta de que todos os problemas que as acometem são consequência de suas próprias ações. Estão sempre buscando culpados por suas mazelas e não conseguem perceber quando todos a sua volta estão tentando ajudá-las. São escravas e escravizam nestas relações conturbadas.

De forma geral, a personalidade é constituída de fatores biológicos e ambientais. Todos nascem com um temperamento próprio que irá influenciar a forma como percebem o mundo e interagem com ele. Uma mesma situação pode ser vivenciada distintamente por várias pessoas. Isso permitirá que cada um viva diferentes experiências de uma mesma situação. O temperamento é o fator biológico e as experiências são o fator ambiental que irão constituir a personalidade. Quando a forma de perceber e reagir ao mundo trazem significativo sofrimento e prejuízo à funcionalidade do indivíduo, é hora de buscar ajuda de um profissional de saúde mental.

Transtornos de personalidade são muito comuns na população, embora nem sempre sejam diagnosticados. Em muitos casos são pessoas consideradas difíceis, mas que nunca sentiram necessidade de buscar ajuda profissional. A 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM – 5) define os transtornos de personalidade como “um padrão persistente de experiência interna e comportamento que se desvia acentuadamente das expectativas da cultura do indivíduo, é difuso e inflexível, começa na adolescência ou no início da fase adulta, é estável ao longo do tempo e leva a sofrimento ou prejuízo”.

No entanto esse sofrimento ou prejuízo não se restringe ao indivíduo, mas também a toda a família e pessoas de seu convívio. Às vezes amamos pessoas que nem nós entendemos como é possível. O termo “pisar em ovos” descreve bem o modo de vida de familiares e amigos de pessoas difíceis. Um dia a pessoa é recebida com um abraço caloroso e palavras de carinho. Mas basta fazer um pequeno comentário e parece que o mundo vai desabar. Em outros casos o familiar é constantemente vítima de manipulação e agressões física e psíquica. Essas situações o tornam vulnerável a ansiedade e depressão. Geralmente essa pessoa faz parte da rede de apoio do paciente, mas não recebe qualquer suporte psicológico para lidar com toda essa carga. Em muitos casos ainda se sente culpado pelos sentimentos antagônicos que experimenta diante das frustrações diárias a que é submetido. Raiva, impaciência, medo e fracasso são alguns dos sentimentos que se mesclam com tantos outros diariamente.

O apoio psicológico é fundamental em situações nas quais não há escolha diante da convivência com pessoas difíceis. A psicoterapia pode auxiliar a reestruturar crenças e desenvolver estratégias de enfrentamento saudáveis para lidar com as situações conflituosas do dia-a-dia. Não se pode escolher estar ou não com um filho difícil, por exemplo, mas é possível decidir se essa convivência será mais ou menos dolorosa. Compreendendo e aceitando as emoções que o invadem, o indivíduo é capaz de encontrar um ponto de equilíbrio e tomar decisões racionais e saudáveis. Ajudar a si mesmo é o primeiro passo para ajudar a quem se ama.

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