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  • Patricia Adnet

Mortes Repentinas


Parece incrível: a cada início de ano nos deparamos com alguma tragédia ambiental, quedas de aviões, helicópteros, acidentes de automóveis. E com eles, as mortes abruptas, aparentemente sem sentido algum, deixando amigos e familiares em estado de choque, sem saber o que fazer, o que sentir, o que pensar.

Num primeiro momento, a negação do fato é o que parece fazer mais sentido. Afinal, como acreditar no que aconteceu? “Imagina, ainda estaremos com a pessoa querida!” – pensamos. Contudo, este estado logo vem seguido por emoções intensas como a raiva, ódio, frustração, decepção. Raiva do ocorrido, e até mesmo, em alguns casos, da pessoa que se foi, culpando-a por ter sido tão egoísta a ponto de deixar a todos sofrendo por ela. O culpado passa a ser qualquer coisa que faça sentido naquele momento, revolta contra as crenças que um dia deram consolo, mas que agora se perderam.

Quantos passam a barganhar a sua volta: “leve-me no lugar!”, “por quê não eu?!”, “a pessoa era tão boa, como pode ser?”, “se eu mudar, traga de volta!”. Enfim, diversas formas que cada um encontra nesta negociação extremamente desgastante e eterna e nada acontece. E assim, nos rendemos a verdade, o ente querido se foi e não está mais ali. Caímos numa angústia incomensurável, isolamento, tristeza profunda. O chão não existe mais, as pessoas ao redor falam, ajudam, mas tudo se transforma em um som abafado, mudo, incompreensível. O corpo não reage, fica pesado, sem energia.

O que resta então? Escutamos que esta dor, a dor da saudade, nunca passará, que isto é mentira ou impossível, e que o tempo não “cura” absolutamente nada. Precisamos entender que a única chave para enfrentarmos e podermos lidar com dores como a dor da perda, principalmente no que tange a mortes repentinas, chama-se aceitação.

Não a aceitação passiva, sinônimo de acomodação, onde se cruzam os braços delegando a outrem a retirada completa desta saudade infinita. É a aceitação ativa, aquela em que nós mesmos nos trabalhamos intimamente, entendendo que não podemos mudar os acontecimentos da vida, que quando menos se espera ocorrem situações altamente dolorosas e imutáveis, e que, definitivamente, não temos controle sobre os fatos.

Temos sim, controle sobre nossa forma de pensar, sentir e agir. Saber que podemos nos fragilizar e pedir ajuda; não ter vergonha de chorar, de gritar e colocar para fora algo que nos corrói por dentro. A aceitação envolve o saber sofrer: lembrando que dor e sofrimento são distintos – o sofrimento nós escolhemos como passar.

A saúde mental e emocional diante do luto depende também de nossas escolhas, da nossa postura ao enfrentarmos ou não este momento tão difícil. Reiteramos que ninguém precisa passar sozinho pela dor da perda. Busque consolo, ajuda junto a seus familiares, amigos e, em alguns casos, a ajuda profissional de psicólogos e psiquiatras que estão mais que preparados para dar o suporte e orientação a quem mais necessita.

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