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  • Patricia Adnet

Encoprese


A encoprese (do grego en-kópros-osis = processo patológico não inflamatório que afeta a defecação) é um transtorno da eliminação ou excreção caracterizada pela dificuldade que algumas crianças têm para controlar adequadamente a evacuação intestinal, eliminando repetidas fezes em lugares inadequados. Importante ressaltar que para o diagnóstico é fundamental que a criança tenha pelo menos quatro anos de idade, que ocorra um episódio por mês durante três meses e que o comportamento não seja devido a efeitos de medicamentos ou substâncias, como laxantes.

O controle voluntário da defecação é uma das primeiras formas de autocontrole que uma pessoa aprende em sua convivência social e que reforça tanto o processo de aprendizagem quanto a relação entre os pais e a criança, durante o qual esta consegue a habilidade de inibir voluntariamente os reflexos retoesfincterianos e tomar para si o controle voluntário dos mecanismos de evacuação. Assim, é preciso observar se há alguma alteração no desenvolvimento infantil que possa levar ao aparecimento da encoprese.

Em algumas crianças, esta falta de controle pode existir com ou sem constipação, ou seja, antes de eliminar as fezes nas roupas ou no chão elas apresentam uma forte prisão de ventre, com muita dificuldade em irem ao banheiro. Existem duas classificações para o transtorno:

Encoprese primária – quando a criança nunca adquiriu o controle voluntário dos mecanismos de evacuação intestinal;

Encoprese secundária – quando a criança já havia adquirido o controle durante pelo menos doze meses e não consegue mais.

As causas da encoprese abrangem diversos fatores que devem ser avaliados com muito cuidado. Podem ser devido a tentativas de aprendizagem antes do período apropriado (quando os responsáveis acreditam que a criança deva aprender desde muito cedo a evacuar no local correto e de maneira correta), treinamento excessivamente exigente com punições caso os filhos não façam de acordo com o estipulado pelos pais, incômodo ou dor associado à evacuação fazendo com que a criança não queira ir ao banheiro e/ou acontecimentos estressantes na vida cotidiana.

O tratamento deste transtorno psicofisiológico envolve uma equipe multiprofissional, com médicos e psicólogos. O papel deste último é fundamental, já que a encoprese acarreta consequências psicossociais para as crianças, com prejuízos significativos, como vergonha, baixa autoconfiança, interferindo em suas atividades e no relacionamento com os colegas. Através destas informações, o terapeuta é capaz de desenvolver um tratamento de acordo com cada caso, proporcionando uma nova qualidade de vida à criança e à sua família.

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